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Cidade
Conppac contra dengue
Varredura no patrimônio Conselho, MP e Prefeitura encontram focos da doença em casarão histórico no Centro de RP
MARINA ARANHA Especial para a Gazeta
Pelo menos 20 focos do mosquito Aedes aegypti, que transmite a dengue, foram encontrados ontem no casarão Albino de Camargo, na Rua Visconde de Inhaúma, tombado como patrimônio histórico de Ribeirão Preto.
A descoberta foi feita durante uma intervenção do Conselho de Preservação do Patrimônio Cultural (Conppac) com o Ministério Público e tem como objetivo fazer a limpeza do terreno até hoje. Os primeiros passos foram dados ontem, quando funcionários do Departamento de Fiscalização Geral começaram a cortar troncos de árvores do terreno que invadiam a calçada. O casarão, que não possui cadeado, fica de portas abertas para a rua e, por isso, virou abrigo para usuários de drogas e andarilhos, que jogam lixo e urinam no terreno.
A ação do Conppac, em parceria com o MP, tem caráter emergencial para evitar que o abandono do casarão cause mais problemas para a vizinhança. “Tem muitos focos de dengue, mas também já foi registrado um caso de violência contra um menor aqui”, afirma Cláudia Morrone, presidente do Conppac. Ela ressalta que o tombamento proíbe a destruição e a não utilização dos edifícios.
Após a limpeza, técnicos do Conppac e do MP vão avaliar o que precisa ser feito para preservar o casarão, além de verificar a estrutura do imóvel para avaliar a possibilidade de uso do imóvel. “Estamos tentando tirar uma radiografia desse lugar, porque o MP quer manter e preservar o prédio”, explica o promotor Sebastião Donizete.
A previsão dele é que o destino do casarão seja decidido em três ou quatro meses. No entanto, a definição só poderá sair após um acordo entre proprietária, Conppac e MP. “Eu queria manter a fachada e transformar a parte de trás num estacionamento”, afirma o marido da proprietária, Roberto Gomes, que, para conseguir realizar o plano, deve apresentar um projeto ao Conppac.
O casarão, que pertenceu ao prefeito Albino de Camargo, foi tombado definitivamente em 2009, após um tombamento provisório. Desde 2006, a construção já foi incendiada cinco vezes.
Teto permite entrada de chuva
A Casa da Caramuru, tombada pelo Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Arqueológico, Artístico e Turístico do Estado de São Paulo (Condephaat) em 1988, também preocupa o Conppac. Apesar de o imóvel estar fechado e não apresentar riscos à população, o teto cedeu e permite a entrada das chuvas, que comprometeram o interior da casa. Foi aberta uma licitação para cobertura provisória, mas as intervenções definitivas só poderão ocorrer após uma negociação, já em andamento, entre o município e o Estado. (MA)
Número de casos já supera o do 1º quadrimestre de 2009
Ribeirão Preto registrou até ontem 970 casos de dengue, superando os quatro primeiros meses do ano passado, quando foram feitas 936 confirmações. De acordo com a Secretaria Municipal da Saúde, ainda há outros 1.173 pacientes com suspeita da doença e os dados da Vigilância Epidemiológica apontam que a maioria dos casos têm sido confirmados: desde o início do ano, apenas 248 exames foram negativados.
Com o índice de casos confirmados, a cidade já superou os meses de janeiro e fevereiro de 2006, ano que bateu o recorde no número de confirmações em uma década: foram 5.997 casos. Nos dois primeiros meses daquele ano, 846 pessoas tiveram dengue e para a vigilância, 2010 poderá ser o pior dos últimos onze anos.
Ribeirão já registrou duas mortes por dengue neste ano. A primeira foi por dengue por complicação, de acordo com a Secretaria Estadual da Saúde. As causas da segunda morte ainda não foram confirmadas. (GY)

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