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Cidade
Hemocentro negocia produção de fator 8
Parceria com o Butantan, em São Paulo, garantiria síntese inédita em escala comercial
O Hemocentro de Ribeirão Preto, da Universidade de São Paulo (USP), negocia com o Instituto Butantan de São Paulo uma parceria para produzir o anticoagulante fator 8 recombinante em escala comercial. Se for fechado o acordo, as unidades serão as primeiras instituições nacionais a disponibilizar esse tipo de medicamento sintetizado em laboratório para o Brasil.
O fator 8 é um dos hemoderivados cuja oferta mais oscila quando há falta de sangue nos bancos internacionais. Por conta disso, o governo federal disponibiliza o remédio apenas para emergências, conforme denunciou Berenice Alecrim, mãe de um portador de hemofilia, em julho na Gazeta.
A hemofilia é uma doença que impede o estanque de sangramentos e os portadores precisem das ampolas de fator 8 para tratamento profilático, que evita deformações. O laboratório particular que produziria comercialmente o fator 8 desenvolvido pelo Hemocentro de Ribeirão encerrou a parceria após a morte, em março, do responsável na empresa pelo empreendimento.
A falta de um parceiro para investir na fase de produção chegou a pôr em risco a continuidade do projeto. A pesquisa de Ribeirão está em fase de testagem do preparo em larga escala e deve ser concluída em 2010.
Atualmente, apenas o campus da USP na Capital e a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) mantêm linhas de pesquisa para fatores recombinantes. Por meio da UFRJ e da Empresa Brasileira de Hemoderivados e Biotecnologia (Hemobrás), o governo federal espera chegar a autossuficiência em derivados de sangue até 2014, mas o fator 8 será exceção, pois a produção só atenderá 40% da demanda até essa data.
De acordo com o professor Dimas Tadeu Covas, orientador da pesquisa e presidente da Fundação Hemocentro, as negociações com o Butantan estavam adiantadas e deveriam ser fechadas ainda este mês. Até o fechamento desta edição, o Butantan não havia se manifestado sobre a questão. (DC)

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