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Cidade
Arteiro ou assassino?
Violência e educação Manual da USP vai ensinar professores a identificar transtorno que pode levar à psicopatia em alunos
DANIELLE CASTRO Gazeta de Ribeirão danielle.castro@gazetaderibeirao.com.br
A agressividade de alunos dentro da sala de aula pode indicar bem mais que rebeldia. Uma pesquisa do Observatório da Violência e das Práticas Exemplares, grupo da Universidade de São Paulo (USP) de Ribeirão Preto, mostrou que docentes capacitados poderiam ajudar na identificação de alunos com transtornos de personalidade (TP), como os que levam ao assassinato em série.
O professor Aristides Marchetti Filho analisa o tema há três anos e deve publicar o resultado de suas pesquisas em um manual de práticas exemplares que o Observatório lançará este ano. “O professor não vai fazer diagnósticos, mas pode auxiliar o psiquiatra fazendo um relatório do comportamento do aluno”, disse.
Além do treinamento, Filho ressaltou que seria preciso criar ferramentas que permitissem o encaminhamento do estudante para tratamento médico. Os sinais que poderiam ser investigados pelos professores vão de hiperatividade, hábito de mentir e desobediência até queda no rendimento escolar e falta de arrependimento.
O professor comparou uma escola pública de Ribeirão em um bairro de classe média com outra de periferia e concluiu que, embora qualquer meio social possa gerar um psicopata, há mais chances de que isso aconteça nas áreas mais pobres, onde a violência da própria comunidade faria com que os estudantes com predisposição a TP contivessem menos o impulso de agressividade.
Não há cura para TP, mas o tratamento evita seu agravamento. Outra vantagem é a separação dos alunos que precisam só de um corretivo daqueles que devem ter ajuda clínica. A estimativa é que 15% da população tenha algum TP, sendo que 3% poderiam chegar ao assassinato em série. O termo “serial killer” foi criado pela polícia federal dos EUA, o FBI, para definir casos em que a pessoa mata três ou mais vítimas com períodos de “calmaria” entre os crimes.
ESQUIZOFRENIA. Na Capital, profissionais de saúde da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) criaram um programa para ensinar professores a identificar alunos com suspeita de esquizofrenia e outras doenças psiquiátricas graves. Os estudantes com problemas são encaminhados para o Projeto de Esquizofrenia da Unifesp (Proesq).
Psiquiatra alerta para rótulos
A maioria dos condutopatas, pessoas com transtorno de conduta, teve sintomas como crueldade com animais, passagens pela polícia e ausência de vínculo profundo com família ou amigos na adolescência, de acordo com o psiquiatra forense Guido Palomba. No entanto, ele ressalta que é preciso tomar cuidado com rótulos, pois nem todos os que possuem esses sinais vão se tornar assassinos em série ou desenvolver alguma doença. “Identificar na juventude por meios subjetivos um possível criminoso é praticamente impossível. O que o professor pode fazer é ver os alunos que se sobressaem da maioria em termos de comportamento violento e encaminhá-los para a psicóloga da escola, que poderá dar uma avaliação mais correta”, disse Palomba. (DC)
Saiba quem são os principais “serial killers” do Brasil e outros países e suas principais características
BRASILEIROS
Benedito Moreira de Carvalho - “Monstro de Guaianazes”
Atuação: início dos anos 1950 Espaço: territorial Vítimas: 16 ou mais, todas crianças e adolescentes Motivo: sexual Situação: morto
José Paz Bezerra - “Monstro do Morumbi”
Atuação: início dos anos 1970 Espaço: territorial Vítimas: 16 ou mais, donas-de-casa e comerciantes Motivo: sexual Situação: livre desde 2001
Marcelo Costa Andrade - “Vampiro de Niterói”
Atuação: 1991/92 Espaço: territorial Vítimas: 12 ou mais, todos meninos de 5 a 12 anos Motivo: sexual Situação: preso em manicômio judiciário desde 1992
Laerte Orpinelli - “Monstro de Rio Claro”
Atuação: anos 1990 Espaço: interior de São Paulo Vítimas: 11 ou mais, todas crianças de 4 a 11 anos Motivo: sexual Situação: preso desde 1998
Francisco de Assis Pereira - “Maníaco do Parque”
Atuação: 1996/98 Espaço: territorial Vítimas: 7 ou mais, todas mulheres jovens Motivo: sexual Situação: preso desde 1998
ESTRANGEIROS
Nome: conhecido apenas como “Jack, o estripador”
Atuação: 1888 em Londres Espaço: territorial Vítimas: 5 ou mais, prostitutas Motivo: supostamente sexual Situação: jamais foi identificado ou preso
Theodoro Bundy - Ted Bundy
Atuação: 1974/1975, em vários estados americanos Espaço: nômade Vítimas: 140 ou mais, todas jovens mulheres morenas Motivo: sexual Situação: executado na cadeira elétrica em 1989
Albert Howard Fish - o “Vovô Canibal”
Atuação: anos 1920, em vários estados americanos Espaço: nômade Vítimas: 100 ou mais, crianças, com práticas de canibalismo Motivo: sexual Situação: executado em 1931
John Wayne Gacy Jr. - “O Palhaço Assassino”
Atuação: início dos anos 1970 em Chicago, Ohio, EUA) Espaço: fixo Vítimas: 30 ou mais, homens jovens Motivo: sexual Siação: executado por injeção letal em 1994
“O Zodíactuo”
Atuação: 1968, em Los Angeles, Califórnia, EUA Espaço: territorial Número de vítimas: 5 ou mais (pode estar em atuação até hoje) Vítimas: homens e mulheres Motivo: totemico/ritualístico Situação: jamais foi identificado ou preso
Pedro Alonzo Lopes - “Monstro dos Andes”
Atuação: início dos anos 1980 (vários países da América Latina) Espaço: nômade Vítimas: 300 ou mais, mulheres Motivo: sexual Situação: talvez preso no Equador
Fonte: Aristides Marchetti Filho

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