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Publicada em 7/6/2009

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Arteiro ou assassino?

Violência e educação Manual da USP vai ensinar professores a identificar transtorno que pode levar à psicopatia em alunos

DANIELLE CASTRO
Gazeta de Ribeirão
danielle.castro@gazetaderibeirao.com.br

A agressividade de alunos dentro da sala de aula pode indicar bem mais que rebeldia. Uma pesquisa do Observatório da Violência e das Práticas Exemplares, grupo da Universidade de São Paulo (USP) de Ribeirão Preto, mostrou que docentes capacitados poderiam ajudar na identificação de alunos com transtornos de personalidade (TP), como os que levam ao assassinato em série.

O professor Aristides Marchetti Filho analisa o tema há três anos e deve publicar o resultado de suas pesquisas em um manual de práticas exemplares que o Observatório lançará este ano. “O professor não vai fazer diagnósticos, mas pode auxiliar o psiquiatra fazendo um relatório do comportamento do aluno”, disse.

Além do treinamento, Filho ressaltou que seria preciso criar ferramentas que permitissem o encaminhamento do estudante para tratamento médico. Os sinais que poderiam ser investigados pelos professores vão de hiperatividade, hábito de mentir e desobediência até queda no rendimento escolar e falta de arrependimento.

O professor comparou uma escola pública de Ribeirão em um bairro de classe média com outra de periferia e concluiu que, embora qualquer meio social possa gerar um psicopata, há mais chances de que isso aconteça nas áreas mais pobres, onde a violência da própria comunidade faria com que os estudantes com predisposição a TP contivessem menos o impulso de agressividade.

Não há cura para TP, mas o tratamento evita seu agravamento. Outra vantagem é a separação dos alunos que precisam só de um corretivo daqueles que devem ter ajuda clínica. A estimativa é que 15% da população tenha algum TP, sendo que 3% poderiam chegar ao assassinato em série. O termo “serial killer” foi criado pela polícia federal dos EUA, o FBI, para definir casos em que a pessoa mata três ou mais vítimas com períodos de “calmaria” entre os crimes.

ESQUIZOFRENIA. Na Capital, profissionais de saúde da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) criaram um programa para ensinar professores a identificar alunos com suspeita de esquizofrenia e outras doenças psiquiátricas graves. Os estudantes com problemas são encaminhados para o Projeto de Esquizofrenia da Unifesp (Proesq).

Psiquiatra alerta para rótulos

A maioria dos condutopatas, pessoas com transtorno de conduta, teve sintomas como crueldade com animais, passagens pela polícia e ausência de vínculo profundo com família ou amigos na adolescência, de acordo com o psiquiatra forense Guido Palomba. No entanto, ele ressalta que é preciso tomar cuidado com rótulos, pois nem todos os que possuem esses sinais vão se tornar assassinos em série ou desenvolver alguma doença. “Identificar na juventude por meios subjetivos um possível criminoso é praticamente impossível. O que o professor pode fazer é ver os alunos que se sobressaem da maioria em termos de comportamento violento e encaminhá-los para a psicóloga da escola, que poderá dar uma avaliação mais correta”, disse Palomba. (DC)

Saiba quem são os principais “serial killers” do Brasil e outros países e suas principais características

BRASILEIROS


Benedito Moreira de Carvalho - “Monstro de Guaianazes”

Atuação: início dos anos 1950
Espaço: territorial
Vítimas: 16 ou mais, todas crianças e adolescentes
Motivo: sexual
Situação: morto

José Paz Bezerra - “Monstro do Morumbi”

Atuação: início dos anos 1970
Espaço: territorial
Vítimas: 16 ou mais, donas-de-casa e comerciantes
Motivo: sexual
Situação: livre desde 2001

Marcelo Costa Andrade - “Vampiro de Niterói”

Atuação: 1991/92
Espaço: territorial
Vítimas: 12 ou mais, todos meninos de 5 a 12 anos
Motivo: sexual
Situação: preso em manicômio judiciário desde 1992

Laerte Orpinelli - “Monstro de Rio Claro”

Atuação: anos 1990
Espaço: interior de São Paulo
Vítimas: 11 ou mais, todas crianças de 4 a 11 anos
Motivo: sexual
Situação: preso desde 1998

Francisco de Assis Pereira - “Maníaco do Parque”

Atuação: 1996/98
Espaço: territorial
Vítimas: 7 ou mais, todas mulheres jovens
Motivo: sexual
Situação: preso desde 1998

ESTRANGEIROS

Nome: conhecido apenas como “Jack, o estripador”


Atuação: 1888 em Londres
Espaço: territorial
Vítimas: 5 ou mais, prostitutas
Motivo: supostamente sexual
Situação: jamais foi identificado ou preso

Theodoro Bundy - Ted Bundy

Atuação: 1974/1975, em vários estados americanos
Espaço: nômade
Vítimas: 140 ou mais, todas jovens mulheres morenas
Motivo: sexual
Situação: executado na cadeira elétrica em 1989

Albert Howard Fish - o “Vovô Canibal”

Atuação: anos 1920, em vários estados americanos
Espaço: nômade
Vítimas: 100 ou mais, crianças, com práticas de canibalismo
Motivo: sexual
Situação: executado em 1931

John Wayne Gacy Jr. - “O Palhaço Assassino”

Atuação: início dos anos 1970
em Chicago, Ohio, EUA)
Espaço: fixo
Vítimas: 30 ou mais, homens jovens
Motivo: sexual
Siação: executado por injeção letal em 1994

“O Zodíactuo”

Atuação: 1968, em Los Angeles, Califórnia, EUA
Espaço: territorial
Número de vítimas: 5 ou mais (pode estar em atuação até hoje)
Vítimas: homens e mulheres
Motivo: totemico/ritualístico
Situação: jamais foi identificado ou preso

Pedro Alonzo Lopes - “Monstro dos Andes”

Atuação: início dos anos 1980 (vários países da América Latina)
Espaço: nômade
Vítimas: 300 ou mais, mulheres
Motivo: sexual
Situação: talvez preso no Equador

Fonte: Aristides Marchetti Filho