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Opinião
Malhação cerebral
Luciana Campaner inbio@inbio.com.br
A rotina da maioria das pessoas nas cidades é estressante. A sobrecarga de atividades, o barulho, a insônia, a má alimentação e o sedentarismo podem ocasionar falta de concentração nas tarefas do dia-a-dia e dificuldade de guardar informações importantes. A situação fica ainda pior quando é preciso se submeter a provas, sejam elas para concorrer a uma vaga de emprego, vestibular ou aquele teste para obter promoção no trabalho.
Todos já sabem que a prática regular de atividade física alivia o estresse e traz inúmeros benefícios à saúde. Agora, além do corpo, temos a ginástica cerebral. Cada vez mais a ciência confirma a importância de exercitar o cérebro para que as potencialidades de cada um, da memória à coordenação, sejam desenvolvidas ao máximo. O filósofo James Flynn, professor de política da Universidade de Ontago, Nova Zelândia, afirma que, diferentemente do que a maioria acredita, o cérebro é muito parecido com o músculo. Para o filósofo, os exercícios mentais multiplicam os neurônios da infância até a velhice. Por isso, não importa a idade, nunca é tarde demais para começar.
Aprender coisas novas todos os dias é uma das melhores maneiras de aprimorar a inteligência. Pode ser por meio da leitura, do estudo de um idioma ou de um instrumento musical e até mesmo da "malhação" cerebral - a prática de exercícios de cognição e lógica. Quanto mais usamos o cérebro, mais ele se aprimora. Mas funciona melhor se o corpo é submetido a atividade física. Quando nos exercitamos intensamente entre 20 e 30 minutos, o organismo produz prolactina, um hormônio com ação calmante para o cérebro. Além das endorfinas, secretadas também pelo cérebro, que proporcionam sensação de bem-estar. O exercício físico frequente ainda faz com que o cérebro aumente a produção de BNDF, que estimula o nascimento de mais neurônios no hipocampo. Quanto mais neurônios desse tipo, mais forte é a capacidade de lidarmos com o estresse crônico de maneira saudável.
Tarefas inusitadas também exercitam nossas capacidades mentais. Aprender jogos de raciocínio, andar pela casa de olhos fechados, escovar os dentes ou pentear o cabelo com uma mão diferente, vestir-se no escuro, mudar o caminho do trabalho, entre outros exercícios, ativam novos circuitos cerebrais e fornecem estímulo às células nervosas. A proposta é mudar o comportamento rotineiro. Tente, invente, faça alguma coisa diferente e estimule o seu cérebro.
(Luciana Campaner é psicóloga clínica e mestre em neurociências pela Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (USP). Site: www.inbio.com.br / E-mail: inbio@inbio.com.br)

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