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Publicada em 27/3/2009

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BOLSA É COM ELAS

Invadindo a Bovespa Mulheres se arriscam nos investimentos e ameaçam os homens

RENAN MAGALHÃES
Da Agência Anhanguera
renan.santos@rac.com.br

Há décadas, o mercado financeiro é um espaço dominado por homens. Mas, assim como acontece no mercado de trabalho, o predomínio masculino vai se reduzindo paulatinamente e as mulheres vão conquistando um lugar até então inédito. A diferença entre investidores individuais da Bovespa é exemplo disso. Do total de 486.706, 370.352 são homens e 116.354 são mulheres, ou seja, elas já são quase uma em cada quatro, percentual inimaginável há alguns anos.

O assessor financeiro Kacir Samra, CEO da escola de bolsa de valores Samra Trading, observa que também está crescendo a participação delas nas turmas dos cursos. “Ainda é algo que caminha timidamente, mas vejo que o interesse feminino pelo mercado financeiro está crescendo. No início de 2008, era muito rara a presença de mulheres por aqui. Mas fechamos o ano com uma média de 15% a 20% de mulheres na turma”, destaca.

Os motivos desse crescente interesse ainda são variados. Mas, para ele, o espantoso é que a crise está atraindo mulheres para o curso. “Têm alunas que buscam ganhar autonomia e independência financeira, outras querem garantir dinheiro para o futuro e aquelas que querem entender o desajuste financeiro e saber como lidar com o problema”, aponta ele.

No entender do assessor, essa nova postura feminina condiz com as outras mudanças características dos últimos tempos. “Hoje, as mulheres ocupam cargos de destaque no mercado de trabalho, o número de divórcios aumentou, cresceu o número de famílias chefiadas por elas. Tudo isso faz com que sintam mais responsabilidade de garantir o futuro”, disse.

CAUTELA. Na opinião de Samra, uma das vantagens que as mulheres possuem no mundo dos negócios é a cautela maior, algo que é fundamental especialmente no começo dos investimentos. “Os homens têm uma dificuldade maior em controlar a ganância. Já as mulheres são mais racionais nesse sentido e são mais fiéis ao objetivo traçado anteriormente”, compara.

Abandonando o emprego

A administradora Caroline Milan Simioni trocou a estabilidade de um emprego de sete anos para se dedicar às operações na Bolsa de Valores. “Eu fiquei sabendo do curso e sempre tive vontade de conhecer melhor sobre esses investimentos. Fui me interessando pelo assunto e, quando saí de férias, resolvi viver um período de experiência apenas fazendo operações. Acabei não voltando mais para meu antigo emprego”, conta.

A investidora Daniela Kanabushi Vincenti também tem uma história parecida. Desestimulada com o serviço burocrático no cargo de analista de comércio exterior em uma empresa multinacional, ela não hesitou em deixar a posição e a boa remuneração para viver de seus investimentos há três meses. “Foi preciso coragem, mas preferi correr esse risco e deixar a estabilidade um pouco de lado”, afirma.

O começo da trajetória como investidora não foi muito promissor. “Comecei em plena crise e perdi um pouco de dinheiro no começo.” Mas agora ela assegura ter encontrado uma boa estratégia para reverter a situação. “Analisei a maneira que estava agindo e passei a me dedicar mais. Neste últimos dois meses já comecei a me recuperar e obtive um lucro duas vezes maior do que era o meu salário.” (RM/AAN)