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Publicada em 24/2/2008

Cidade
Aula de reciclagem

Especialistas dão dicas de como fazer a separação adequada dos materiais antes do descarte

Gazeta de Ribeirão

A separação do material reciclável em casa, se feita corretamente, pode facilitar em muito o trabalho de triagem dos cooperados que atuam no Centro de Coleta Seletiva da prefeitura e que recebem o material de 38 bairros de Ribeirão Preto. Quando as embalagens plásticas, latas, papéis e vidros são colocados sujos ou molhados no lixo, acabam inviabilizando a reciclagem e têm de ser retransportados ao aterro, como rejeito.

"É preciso colaboração geral, as pessoas precisam ser orientadas sobre quais materiais poderiam separar", disse Maísa de Souza Ribeiro, pesquisadora da área sócio-ambiental e professora da FEA/USP de Ribeirão.

Dentre as orientações que ela menciona, está separar papel seco do molhado e lavar e secar as embalagens de vidro e plástico antes do descarte. "Antes disso não adiantam para reciclagem, só o lixo limpo. Além disso, se estiverem sujas e demorarem a ser recolhidas, acabam juntando uma série de insetos", explicou.

Em casa, as pessoas não precisam se dar ao trabalho de colocar cada material em sacos diferentes. "Não precisa separar por espécie de material, porque no centro de triagem vão jogar tudo na esteira. A pessoa deve ter dois sacos para lixo: um para não reciclável e outro para reciclável, sendo que este não deve conter restos de comida", orientou a gestora de resíduos Jeane Bordini.

Se a população seguir as dicas à risca, o trabalho da cooperativa tende a ser potencializado. "Os cooperados irão trabalhar menos, porque haverá menos lixo, mas o ganho será maior", disse a gestora de resíduos.

Responsabilidades

Quem não é atendido pela coleta porta-a-porta do Daerp (Departamento de Água e Esgotos de Ribeirão Preto), deve cobrar pelo serviço, afirma a educadora Daniela Sudan, responsável pelo projeto "USP Recicla". "Em Ribeirão está faltando políticas públicas, e não apoio da população", disse. "Na Europa, alguns países obrigam supermercados a pegarem embalagens de creme dental dos clientes, porque lá se paga pela quantidade de lixo gerado. O supermercado encaminha para reciclagem e paga por isso", contou.

O superintendente do Daerp, Darvin José Alves, disse que há um projeto para expansão da coleta seletiva, mas que ainda não há previsão para o início. Os 30 pontos de coleta espalhados pela cidade foram retirados, segundo ele, porque eram alvo de deposição de material orgânico misturado aos recicláveis.

De acordo com Jeane Bordini, o ponto de coleta é válido, desde que o local seja vigiado. "É preciso ver cidades que implantaram há algum tempo e verificar como está funcionando." Belo Horizonte (BH), por exemplo, tem no sistema ponto-a-ponto um meio alternativo de coleta, de onde são retiradas cerca de 100 toneladas mensais de resíduos recicláveis.

De acordo com a pesquisa da USP (leia texto na página anterior), dar uma nova destinação ao lixo é uma forma de minimizar seu impacto ambiental, garantir às futuras gerações a utilização dos recursos existentes hoje e também pode ser uma fonte de renda.
(ANA LÍGIA VASCONCELLOS)

Curitiba adota modelo inédito

Os programas de aproveitamento de lixo de Curitiba (PR) reciclam hoje 500 toneladas diárias de resíduos, mesma quantidade de material que Ribeirão desperdiça no aterro todos os dias. Agora, a prefeitura da capital paranaense lançou um desafio inédito no Brasil: quer reduzir a apenas 15% o lançamento de lixo em aterro, n um período de seis anos, reunindo as várias técnicas de aproveitamento de lixo disponíveis no país.

A meta está prevista no edital de licitação apresentado pelo Consórcio Intermunicipal para Gestão de Resíduos Sólidos, formado por Curitiba e outros 15 municípios, que produzem, hoje, 2,4 mil toneladas de lixo diárias. Os envelopes deverão ser abertos no dia 3 de março.

No edital estão previstas reciclagem, compostagem (transformação de lixo orgânico em adubo) e biodigestão (produção de biogás ou adubo a partir de resíduos), uso como material energético e aterro sanitário. O valor máximo previsto para as propostas é de R$ 73 por tonelada. (Gazeta de Ribeirão)