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Publicada em 2/12/2007

Cidade
Natal com cerveja

Aquecimento das temperaturas e do mercado deve aumentar as vendas da bebida em 4% neste ano

ANA LÍGIA VASCONCELLOS
Gazeta de Ribeirão
ana.vasconcellos@gazetaderibeirao.com.br

A combinação temperatura alta com vinho pode não ser a mais adequada para brindar nas festas de final de ano. Por isso, muitos ribeirãopretanos vão trocar o espumante e o champagne pela habitual cerveja.

"Sempre vou na cerveja. Não consigo ficar sem", afirmou o comerciante Edson da Silveira Gervázio Junior, 20. No final de ano, ele costuma aumentar a freqüência de saídas para beber. "Em geral, saio de três a quatro vezes por semana. Mas, no período de festa, costumo sair quase todos os dias."

O aquecimento da temperatura e do mercado nessa época é um dos principais fatores apontados pelo Sindicerv (Sindicato Nacional da Indústria Cervejeira) para a preferência pela bebida à base de cevada. A estimativa da entidade é que os ribeirãopretanos consumam em dezembro pelo menos 4% mais cerveja, em relação ao mesmo período do ano passado - distribuidoras procuradas pela reportagem não informaram a quantidade total de vendas. Segundo a assessoria de imprensa da Ambev, é dado estratégico.

Ribeirão é a segunda cidade do interior do Estado (excluindo o litoral e a Grande São Paulo) que mais consome cerveja - só perde para Campinas. São José do Rio Preto, a terceira da lista, deve consumir 4,5 milhões de litros da bebida em dezembro, segundo a distribuidora Conebel.

"Nos últimos anos, verificou-se no Brasil um aumento de renda derivado, principalmente, da estabilidade econômica, e um aumento da população adulta, o que influencia no crescimento do mercado de cerveja", afirmou João César Gollo, assistente de direção do Sindicerv.

Segundo ele, em Ribeirão o cenário não deve ser diferente. "Com o boom do álcool combustível e aumento de renda, provavelmente aumentará o consumo na cidade - no mínimo, na proporção do mercado nacional", disse.

Se, por um lado, o consumo de cerveja movimenta a economia, por outro pode se transformar num problema coletivo se for mal administrado.

Dados dos Bombeiros apontam que, em dezembro do ano passado, foram registradas cinco mortes em acidente de trânsito, contra uma em novembro do mesmo ano (crescimento de 400%). Quedas acidentais (incluindo de moto), foram 34 em dezembro de 2006, nove a mais que no mês anterior.

"Que aumentam as ocorrências, aumentam. Mas o índice pode ser ainda maior. O levantamento tem uma margem de erro. Às vezes, a ambulância vai fazer o socorro, mas o ferido é levado por veículo particular", disse o sub-tenente dos Bombeiros Deuclides Barbosa Lemes.

No mês de dezembro, a UBDS (Unidade Básica de Saúde) Central chega a atender 10% mais casos durante a madrugada do que no resto do ano - o normal é 12, 13 atendimentos de adultos. "Sem dúvida, acaba tendo relação com o consumo abusivo de álcool", afirmou a enfermeira Maria de Lourdes Vilela de Faria, gerente da UBDS.

A Secretaria da Saúde, porém, não tem disponível em sua rede um levantamento que indique o que leva as pessoas a procurarem o médico - um novo sistema de informática, mais preciso, está em fase de implantação.

O índice de registros policiais também aumenta em dezembro. Os casos mais comuns são de agressão, dano ao patrimônio e lesão corporal.

"A aglomeração maior de pessoas [NO FIM DE ANO]gera um anonimato, que facilita desentendimentos e exagero no trânsito, além de exagero na bebida", afirmou o capitão Naby Assiune, porta-voz da Polícia Militar em Ribeirão.

USP realiza prevenção

Entre os dias 10 e 14 de dezembro, o Pai-Pad (Programa de Ações Integradas para Prevenção e Atenção ao Uso de Álcool e Drogas na Comunidade) da USP de Ribeirão realiza semana de prevenção ao consumo abusivo do álcool em cidades da região. É a segunda vez que o evento é realizado às vésperas do Natal.

"A idéia é divulgar materiais de prevenção junto com equipes de saúde na rede pública dos municípios e incorporar as informações em eventos locais", explicou o psiquiatra Erikson Furtado, coordenador do programa e professor da Faculdade de Medicina da USP de Ribeirão.

Tradição desde a Antigüidade, a ligação entre bebida alcoólica e festejos tem se tornado, na visão do especialista, ainda mais acentuada nos últimos três anos, devido a uma estratégia de marketing agressiva da indústria cervejeira, que visa reverter a estagnação do mercado de 1994 a 2004.

"Não podemos eliminar esse lado da cultura. Festejar não é o problema. O problema é como se vem deturpando o sentido dessa celebração", afirmou.

Segundo o professor, é possível adotar hábitos saudáveis ao beber. "Deve-se ter ritmo lento, intercalar a bebida com outros líquidos, tentar limitar o total a ser ingerido", disse. O limite tolerável é de cinco latinhas para homens e metade para mulheres. "Após esse limite, aumenta consideravelmente o risco de cirrose."
(Gazeta de Ribeirão)

Empresário irá presentear com cerveja

Todo Natal, o publicitário e produtor José Virgílio Braghetto, 36, ganha cervejas elaboradas de presente. Neste ano, ele planeja também presentear os amigos com as loiras artesanais, especiais e importadas que vieram conquistando seu paladar na última década.

"Penso em presentear com alguns kits. Não é comum e é um bom presente. Quem entende vai saber valorizar, ou então posso surpreender quem não conhece, apresentando à pessoa o mundo da cerveja", disse.

Com os termômetros em ebulição no verão, o brinde com vinhos e champanhes perde espaço na vida do publicitário. "Em nosso clima, nosso contexto, a cerveja cai muito bem", afirmou. "Existem, inclusive, cervejas para celebração, produzidas pelo método champaneado, com rolhas. É melhor que champanhe. Algumas marcas chegam a custar R$ 200 a garrafa, o preço de um bom vinho", contou.

Braghetto conheceu o universo da cerveja quando morou na Inglaterra e Dinamarca, onde o fator cultural favorece o consumo de cervejas mais encorpadas. Ele estima já ter experimentado pelo menos 300 tipos diferentes. As preferidas são a Pratinha (produzida em sua própria microcervejaria, para degustação), a também ribeirãopretana Colorado e as belgas, com aromas frutados e teor alcóolico elevados.

Tamanha paixão pela bebida o fez investir em pesquisas, cujo resultado ele compartilha em um programa exibido na web (www.bytesandbeer.com e no YouTube).

Em Ribeirão, é possível comprar cervejas importadas em lugares como Museu da Gula, Pão de Açúcar, Cervejarium e Armazém Geral.

"Nessa época, vendemos bastante para presente e o consumo no bar é de 5% a 10% maior. Com o calor, 13º em mãos e confraternizações de final de ano, as pessoas acabam bebendo mais", disse Luciana Gonçalvez, gerente do Cervejarium.
(Gazeta de Ribeirão)

NÚMERO

4 por cento é o aumento de vendas previsto para este final de ano em RP.

FRASE

"A aglomeração maior de pessoas [NO FIM DE ANO]gera um anonimato, que facilita desentendimentos e exagero no trânsito, além de exagero na bebida"
Capitão Naby Assiune, porta-voz da Polícia Militar em Ribeirão Preto.

NÚMERO

5 latinhas é o limite para homens; para a mulher, metade.