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Polícia apura problema com empresa de RP
GABRIELA YAMADA Gazeta de Ribeirão gabriela.yamada@gazetaderibeirao.com.br
A Criart Super Shop, empresa online de comercialização de produtos eletrônicos de Ribeirão Preto, está sob investigação da Polícia Civil da cidade. A Criart é acusada de estelionato por consumidores de todo o país.
Segundo denúncias apuradas pela reportagem, dezenas de pessoas efetuaram o pagamento de compras e nunca receberam os produtos. Quando procuravam a empresa para cobrar a entrega recebiam diversas informações, como problemas na logística e falta do produto.
A Criart prolongava, então, os prazos de entrega. Houve consumidores que foram até a sede da loja, localizada na rua Visconde de Inhaúma, e receberam um cheque cruzado no valor da compra. Mas o cheque não tinha fundos.
Na página principal do site da Criart, a empresa pede para que clientes e parceiros entrem em contato com um escritório de advocacia e fornece um número. A ligação somente cai em caixa postal, da cidade de São Joaquim da Barra. Ainda na página principal, um recado: "o atendimento pode estar difícil pelo volume de ligações".
Segundo o escritório regional da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) daquela cidade, o número pertence à advogada Carla Maria Braga. A sede da empresa em Ribeirão está fechada e os sócios proprietários, Reinaldo Cândido da Silva e Angela Porcincula Alquemim, não foram encontrados.
A reportagem teve acesso a um documento no qual consta o nome, o produto comprado, o valor e o número do pedido de 39 pessoas que dizem ter sido lesadas pela Criart. Juntos, os consumidores foram lesados em mais de R$ 113 mil.
Há diversos fóruns de sites com reclamações sobre a Criart. No fórum do site Clube do Hardware, por exemplo, há mais de 300 mensagens, com uma lista de 43 lesados. Em outro site, o Reclame Aqui, há outra lista com 27 pessoas.
Uma das pessoas que se dizem vítimas da Criart é a carioca Lisiane Gonçalves Lima, que efetuou um pagamento à vista no valor de R$ 1.921 em maio, para a compra de um projetor. Respeitando-se os sete dias úteis, Lisiane deveria receber o produto no dia 7 de junho, mas a empresa alegou o feriado e remarcou a entrega para o dia 12 de junho.
Após a data de entrega ter sido remarcada diversas vezes, Lisiane decidiu ir até a sede da empresa. "Quando cheguei, tive uma surpresa: me colocaram para falar com um homem enorme, chamado Luciano, que parecia um 'armário'. Ele estava ali para intimidar as pessoas", afirma. Por medo, Lisiane aceitou um cheque cruzado e não foi à Polícia. Somente no Rio é que descobriu que o cheque estava sem fundo.
O chefe da Divisão do Procon (Proteção ao Consumidor) de Ribeirão, Luiz Alberto de Mattos, começou a receber as reclamações de pessoas que sentiram lesadas pela Criart há 90 dias. Segundo ele, há uma média de 15 e-mails por mês. A maior parte é de pessoas de fora da cidade.
Mattos diz que, para evitar qualquer tipo de problemas, o melhor a fazer é dar preferência a grandes empresas que já têm nome no mercado. "As classificações que são dadas pela Internet não são muito confiáveis", afirma.

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