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Publicada em 29/6/2006

Cidade
Projeto para o aquífero

OEA vai cadastrar todos os poços abandonados em 13 cidades, incluindo Ribeirão, para proteger o Guarani

PRISCILA VITELLI
Especial para a Gazeta

A OEA (Organização dos Estados Americanos) começa na próxima semana um levantamento de poços artesianos na região de Ribeirão e que estão sobre o Aqüífero Guarani. O objetivo é atualizar os dados e fazer um novo mapeamento para o Projeto Piloto Ribeirão Preto, que faz parte do Projeto Sistema Aqüífero Guarani, desenvolvido para proteger o reservatório nos quatro países que ele abastece: Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai.

O lençol é o maior reservatório natural de água potável da América Latina, com 1,2 milhão de quilômetros quadrados, e abastece 15 milhões de pessoas nos quatro países. Segundo dados do Projeto Piloto Ribeirão Preto, a exploração de água nesta região é 13 vezes maior do que a recarga direta da chuva.

O geólogo Heraldo Campos, coordenador do Projeto Piloto Ribeirão Preto, com escritório nas dependências do DAEE, (Departamento de Água e Energia Elétrica), diz que o cadastramento pretende abranger 100% da área do piloto. "Uma empresa foi contatada para isso e vai compilar dados de poços em funcionamento e abandonados". Ele afirma que não há pré-determinação ou alvo principal. "O alvo é poço, indiscriminadamente".

Fazem parte do plano todos os imóveis comerciais, industriais, residenciais e as propriedades rurais, inclusive usinas. Segundo Campos, o último levantamento semelhante, que forneceu dados ao DAEE, aconteceu em 1985.

José Carlos Carrascosa dos Santos, presidente do Comitê da Bacia do Pardo e prefeito de Cravinhos, diz que a iniciativa pode ajudar nos problemas de contaminação e exploração do lençol.

"Em Ribeirão o aqüífero fica somente a 100 metros de profundidade e acaba atingido. Além disso, há o problema de poços de fundo de quintal e empresas particulares. Não pagam o custo de retirada nem o de esgoto, que vem na conta da água", afirma Santos.

Para o ambientalista Manoel Tavares, a idéia é importante, mas não traz junto medidas efetivas. "Há tempos são feitos diagnósticos para descobrir coisas que já sabemos. Um dia podemos perder todo o aqüífero por contaminação", comenta.

Tavares diz que o agrotóxico é o principal vilão da zona rural, mas os poços também são mais comuns e os clandestinos geram contaminação. "Isso em toda a região. Poços sem autorização e fiscalização, não tem revestimentos adequados. Isso é feito para baratear os custos", conclui.

Mapeamento é em 13 locais

Serão mapeadas 13 cidades da região, incluindo Ribeirão,n a primeira da lista.

O mapeamento passa por Altinópolis, Batatais, Brodowski, Cravinhos, Dumont, Guatapará, Jardinópolis, Luiz Antônio, Sertãozinho, Serrana, São Simão e Serra Azul.

Serão avaliados estado de construção e conservação, profundidade, finalidade da captação e a situação do poço em relação ao órgão gestor, o Daee. Com isso, a fiscalização vai ser facilitada e então o Daee pode se manifestar em relação às concessões.

O Projeto Sistema Aqüífero Guarani envolve mais de US$ 27 milhões, sendo US$ 13,4 milhões do Fundo Mundial para o Meio Ambiente.

Campos diz ainda que embora os postos abandonados sejam poluidores potenciais, o estudo pretende abordar todos os poços, inclusive os em funcionamento, regularizados ou não. (Gazeta de Ribeirão)