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Cidade
Pelo parto natural
Grupo criado em Ribeirão discute harmonização e tenta reduzir índice de 57% de cesáreas na cidade
LIVIA CEREZOLI Gazeta de Ribeirão
Pensando no direito de livre escolha das mulheres na hora de dar à luz, foi montado em Ribeirão um grupo de discussão sobre a humanização do parto.
Além de cursos para gestantes sobre tipos de parto, aulas de massagem e ioga, o projeto Despertar oferece discussões para mulheres e homens sobre a gestação, o parto e o bebê.
As reuniões acontecem sempre aos sábados e o encontro recebeu o nome de "Sábado da Boa Hora". Todo o trabalho é desenvolvido pela psicóloga e doula Eleonora de Moraes.
"Desenvolvo esse trabalho com mulheres e homens porque precisamos resgatar a essência do ato de parir. Ele deve oferecer conforto e dar prazer para a mulher e não ser uma coisa mecânica", explica.
A palavra doula vem do grego e quer dizer mulher que serve. Segundo Eleonora, a principal função dessa figura é dar apoio físico, emocional, afetivo e psicológico à mulher durante o parto.
"Ela auxilia com técnicas naturais como massagens e orientação de posições facilitando o progresso do parto, minimizando as dores e medos", explica.
O trabalho de projeto Despertar tem como objetivo reduzir o grande número de cesáreas que são realizadas em todo o país. Em Ribeirão, dos 8.683 partos no ano passado, cerca de 57% (4974 nascimentos) foram cesáreas.
O índice no Brasil é de 40%. O país é o segundo do mundo onde mais se realizam partos com intervenção cirúrgica, só perdendo para o Chile. De acordo com a Organização Mundial de Saúde, o ideal seria que apenas 15% dos bebês nascessem mediante cirurgia.
Além desse trabalho com mães e pais, Eleonora acredita na importância de uma conscientização maior. "Nosso desejo é expandir cada vez mais esse trabalho e permitir que a mulher realmente assuma o seu papel de protagonista nos partos”.
Entre os temas discutidos nas reuniões está a montagem de um plano de parto. De acordo com a doula, isso é essencial para a preparação da gestação. O plano de parto nada mais é que uma lista onde a gestante deve colocar seus desejos na hora de dar a luz.
"Ela deve colocar tudo. Desde onde quer ter o seu filho, até se quer a luz acesa, se quer ouvir música, se o marido deve estar presente", diz. Eleonora ainda ressalta a importância da presença do marido durante o parto. "Na história sempre se viram mulheres ao redor de uma mulher no momento do parte, mas o homem, o pai, tem um papel fundamental".
Entre as gestantes, a vontade de um ter um parto normal é grande. A professora Nilcéia Borges Dedemo, de 31 anos, está grávida de oito meses do seu segundo filho.
"Meu primeiro parto foi cesárea por uma decisão médica. Eu não tive problemas sérios, mas não consegui amamentar meu bebê e ele ficou muito estressado. Era tudo artificial, aquela luz, o ar condicionado", conta ela.
Serviço:
Sábados da Boa Hora. Dia 11 - Medos e mitos no parto; Dia 18 - Como escapar de uma "desne-cesárea"; Dia 25 - O que é "Plano de Parto"; Dia 30 - Vídeo - "Nascendo no Brasil" e "Sagrado". Informações: (16) 3911-4152
Leboyer sugere silêncio e pouca luz
Existem várias maneiras de trazer uma nova vida ao mundo. Hoje, é comum classificar os tipos de parto em normal ou cesariana, mas as denominações são ainda mais complexas.
Para a doula Eleonora de Moares, o que mais importa nas classificações de um parto é a satisfação e o conforto da mulher. "Toda a fisiologia feminina e as próprias dores do trabalho de parto ensinam para a mulher, como ela deve agir durante o parto".
Segundo ela, é nessa situação que ela define a posição mais confortável para ter o bebê, independente se isso vai acontecer deitada, sentada, de cócoras ou na água.
O parto Leboyer surgiu na França e aplica uma forma mais amena de nascer: pouca luz, silêncio, sem violência, com o primeiro banho do bebê perto da mãe e amamentação precoce. Este tipo de parto valoriza a qualidade de nascimento oferecida ao bebê e isso proporciona uma sensação mais cômoda para a mãe.
Da França também veio parto na água. No Brasil, pouquíssimos médicos e clínicas oferecem essa opção para as gestantes e não são conhecidos os benefícios que a água pode trazer durante o parto.
Por exemplo, a água quente alivia as dores da gestantes tanto no trabalho de parto como no parto em si.
Das tribos indígenas foi resgatado o parto de cócoras. Ele é mais rápido, oferece uma posição mais cômoda para a mulher e é ainda mais saudável para o bebê.
No Brasil, o médico Moysés Paciornik criou até uma cadeira especial para a realização desse tipo de parto. (Gazeta de Ribeirão)

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